22.11.24

São Mateus Apóstolo

São Mateus apóstolo e evangelista, cujo nome antes da conversão era Levi. Morava e trabalhava como coletor de impostos em Cafarnaum, na Palestina. Quando ouviu a Palavra de Jesus: “Segue-me” deixou tudo imediatamente, pondo de lado a vida ligada ao dinheiro e ao poder para um serviço de perfeita pobreza: a proclamação da mensagem cristã! Ele trocou de nome para Mateus, o “dom de Deus”. Quando falam do episódio do coletor de impostos chamado a seguir Jesus, os outros evangelistas, Marcos e Lucas, falam de Levi. Mateus ao contrário prefere denominar-se com o nome mais conhecido de Mateus e usa o apelido de publicano, que soa como usuário ou avarento, “para demonstrar aos leitores – observa São Jerônimo – que ninguém deve desesperar da salvação, se houver conversão para vida melhor”. Acredita-se, mesmo, que tal mudança não tenha realmente ocorrido dessa forma, mas sim pelo seu próprio e espontâneo entusiasmo no Messias. Na verdade, o que se imagina é que Levi havia algum tempo cultivava a vontade de seguir as palavras do profeta e que aquela atitude tenha sido definitiva para colocá-lo para sempre no caminho da fé cristã. Daquele dia em diante, tornou-se um dos maiores seguidores e apóstolos de Cristo, acompanhando-o em todas as suas caminhadas e pregações pela Palestina. São Mateus foi o primeiro apóstolo a escrever um livro contando a vida e a morte de Jesus Cristo, ao qual ele deu o nome de Evangelho e que foi amplamente usado pelos primeiros cristãos da Palestina. Quando o apóstolo são Bartolomeu viajou para as Índias, levou consigo uma cópia. Depois da morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos espalharam-se pelo mundo e Mateus foi para a Arábia e a Pérsia para evangelizar aqueles povos. Porém foi vítima de uma grande perseguição por parte dos sacerdotes locais, que mandaram arrancar-lhe os olhos e o encarceraram para depois ser sacrificado aos deuses. Mas Deus não o abandonou e mandou um anjo que curou seus olhos e o libertou. Mateus seguiu, então, para a Etiópia, onde mais uma vez foi perseguido por feiticeiros que se opunham à evangelização. Porém o príncipe herdeiro morreu e Mateus foi chamado ao palácio. Por uma graça divina fez o filho da rainha Candece ressuscitar, causando grande espanto e admiração entre os presentes. Com esse ato, Mateus conseguiu converter grande parte da população. Na época, a Igreja da Etiópia passou a ser uma das mais ativas e florescentes dos tempos apostólicos. São Mateus morreu por ordem do rei Hitarco, sobrinho do rei Egipo, no altar da igreja em que celebrava o santo ofício da missa. Isso aconteceu porque não intercedeu em favor do pedido de casamento feito pelo monarca, e recusado pela jovem Efigênia, que havia decidido consagrar-se a Jesus. Inconformado com a atitude do santo homem, Hitarco mandou que seus soldados o executassem. No ano 930, as relíquias mortais do apóstolo são Mateus foram transportadas para Salerno, na Itália, onde, até hoje, é festejado como padroeiro da cidade. A Igreja determinou o dia 21 de setembro para a celebração de são Mateus, apóstolo.

São Francisco de Assis

São Francisco de Assis nasceu em Assis, Itália, em 1182. Era filho de Pedro Bernardone, um rico comerciante, e Pia, de família nobre da Provença. Na juventude, Francisco era muito rico e esbanjava dinheiro com ostentações. Porém, os negócios de seu pai não lhe despertaram interesse, muito menos os estudos. O que ele queria mesmo era se divertir. Porém, São Boaventura, seu contemporâneo, escreveu sobre ele: “Mas, com o auxílio divino, jamais se deixou levar pelo ardor das paixões que dominavam os jovens de sua companhia”. Vida de São Francisco Na juventude de Francisco, por volta de seus vinte anos, uma guerra começou entre as cidades italianas chamadas Perugia e Assis. Ele queria combater em Espoleto, entre Assis e Roma, mas caiu enfermo. Durante a doença, Francisco ouviu uma voz sobrenatural. Esta lhe pedia para ele “servir ao amor e ao Servo”. Pouco a pouco, com muita oração, Francisco sentiu em seu coração a necessidade de vender seus bens e “comprar a pérola preciosa” sobre a qual ele lera no Evangelho. Certa vez, ao encontrar um leproso, apesar da repulsa natural, venceu sua vontade e beijou o doente. Foi um gesto movido pelo Espírito Santo. A partir desse momento, ele passou a fazer visitas e a servir aos doentes que se encontravam nos hospitais. Aos pobres, presenteava com suas próprias roupas e também com o dinheiro que tivesse no momento. O Chamado Num dia simples, mas muito especial, num momento em que Francisco rezava sozinho na Igreja de São Damião, em Assis, ele sentiu que o crucifixo falava com ele, repetindo por três vezes a frase que ficou famosa: “Francisco, repara minha casa, pois olhas que está em ruínas”. O santo vendeu tudo o que tinha e levou o dinheiro ao padre da Igreja de São Damião, e pediu permissão para viver com ele. Francisco tinha vinte e cinco anos. Pedro Bernardone, ao saber o que seu filho tinha feito, foi buscá-lo indignado, levou-o para casa, bateu nele e acorrentou-o pelos pés. A mãe, porém, o libertou na ausência do marido, e o jovem retornou a São Damião. Seu pai foi de novo buscá-lo. Mandou que ele voltasse para casa ou que renunciasse à sua herança. Francisco então renunciou a toda a herança e disse: “As roupas que levo pertencem também a meu pai, tenho que devolvê-las”. Em seguida se desnudou e entregou suas roupas a seu pai, dizendo-lhe: “Até agora tu tem sido meu pai na terra, mas agora poderei dizer: ‘Pai nosso, que estais nos céus”. Renúncia de São Francisco de Assis Para reparar a Igreja de São Damião, Francisco pedia esmola em Assis. Terminado esse trabalho, começou reformar a Igreja de São Pedro. Depois, ele retirou-se para morar numa capela com o nome de Porciúncula. Ela fazia parte da abadia de Monte Subasio, cuidada pelos beneditinos. Ali o céu lhe mostrou o que realmente esperava dele. O trecho do Evangelho da Missa daquele dia dizia: “Ide a pregar, dizendo: o Reino de Deus tinha chegado. Dai gratuitamente o que haveis recebido gratuitamente. Não possuas ouro, nem duas túnicas, nem sandálias…” A estas palavras, Francisco tirou suas sandálias, seu cinturão e ficou somente com a túnica. Milagres de São Francisco de Assis Deus lhe concedeu o dom da profecia e o dos milagres. Quando Francisco pedia esmolas com o fim de restaurar a Igreja de São Damião, ele dizia:“Um dia haverá ali um convento de religiosas, em cujo nome se glorificará o Senhor e a Igreja“. A profecia se confirmou cinco anos depois com Santa Clara e suas religiosas. Ao curar, com um beijo, o câncer que havia desfigurado o rosto de um homem, São Boaventura comentou para São Francisco de Assis: “Não se há que admirar mais o beijo do que o milagre?” Fundação da Ordem dos Frades Menores (O.F.M.) Francisco começou a anunciar a verdade, no ardor do Espírito de Cristo. Convidou outros a se associarem a ele na busca da perfeita santidade, insistindo para que levassem uma vida de penitência. Alguns começaram a praticar a penitência e em seguida se associaram a ele, partilhando a mesma vida. O humilde São Francisco de Assis decidiu que eles se chamariam Frades Menores. Surgiram assim os primeiros 12 discípulos que, segundo registram alguns documentos, “foram homens de tão grande santidade que, desde os Apóstolos até hoje, não viu o mundo homens tão maravilhosos e santos”. O próprio Francisco disse em testamento: “Aqueles que vinham abraçar esta vida, distribuíam aos pobres tudo o que tinham. Contentavam-se só com uma túnica, uma corda e um par de calções, e não queriam mais nada”. Os novos apóstolos reuniram-se em torno da pequena igreja da Porciúncula, ou Santa Maria dos Anjos, que passou a ser o berço da Ordem. A nova ordem religiosa de São Francisco de Assis Em 1210, quando o grupo contava com doze membros, São Francisco de Assis redigiu uma regra pequena e informal. Esta regra era, na sua maioria, os conselhos de Jesus para que possamos alcançar a perfeição. Com ela foram a Roma apresentá-la ao Sumo Pontífice. Lá, porém, relutavam em aprovar a nova comunidade. Eles achavam que o ideal de Francisco era muito rígido a respeito da pobreza. Por fim, porém, um cardeal afirmou: “Não podemos proibir que vivam como Cristo mandou no Evangelho”. Receberam a aprovação e voltaram a Assis, vivendo na pobreza, em oração, em santa alegria e grande fraternidade, junto a Igreja da Porciúncula. Mais tarde, Inocêncio III mandou chamar São Francisco de Assis e aprovou a regra verbalmente. Logo em seguida o papa impôs a eles o corte dos cabelos, e lhes enviou em missão de pregarem a penitência. São Francisco de Assis, um exemplo de vida São Francisco de Assis manifestava seu amor a Deus por uma alegria imensa, que se expressava muitas vezes em cânticos ardorosos. A quem lhe perguntava qual a razão de tal alegria, respondia que “ela deriva da pureza do coração e da constância na oração”. A santidade de São Francisco de Assis lhe angariou muitos discípulos e atraiu também uma jovem, filha do Conde de Sasso Rosso, Clara, de 17 anos. Desde o momento em que o ouviu pregar, compreendeu que a vida que ele indicava era a que Deus queria para ela. Francisco tornou-se seu guia e pai espiritual. Nascia assim a Ordem Segunda dos Franciscanos, a das Clarissas. Depois, Inês, irmã de Clara, a seguia no claustro; mais tarde uma terceira, Beatriz se juntou a elas. Sabedoria divina Certa vez, São Francisco de Assis, sentindo-se fortemente tentado pela impureza, deitou-se sem roupas sobre a neve. Outra vez, num momento de tentação ainda mais violenta, ele rolou sobre espinhos para não pecar e vencer suas inclinações carnais. Sua humildade não consistia simplesmente no desprezo sentimental de si mesmo, mas na convicção de que “ante os olhos de Deus o homem vale pelo que é e não mais”. Considerando-se indigno do sacerdócio, São Francisco de Assis apenas chegou a receber o diaconato. Detestava de todo coração o exibicionismo. Uma vez contaram-lhe que um dos irmãos amava tanto o silêncio que até quando ia se confessar fazia-o por sinais. São Francisco respondeu desgostoso: “Isso não procede do Espírito de Deus, mas sim do demônio; é uma tentação e não um ato de virtude”. Francisco tinha o dom da sabedoria. Certa vez, um frade lhe pediu permissão para estudar. Francisco respondeu que, se o frade repetisse com amor e devoção a oração “Glória ao Pai”, se tornaria sábio aos olhos de Deus. Ele mesmo, Francisco, era um grande exemplo da sabedoria dessa maneira adquirida. São Francisco de Assis e os animais A proximidade de Francisco com a natureza sempre foi a faceta mais conhecida deste santo. Seu amor universalista abrangia toda a Criação, e simbolizava um retorno a um estado de inocência, como Adão e Eva no Jardim do Éden. Os estigmas de São Francisco de Assis Todos os anos, de 15 de agosto a 29 de setembro, São Francisco de Assis tinha o costume de preparar-se com uma quaresma de oração e jejum para a festa de São Miguel Arcanjo. Dois anos antes de sua morte, tendo Francisco ido ao Monte Alverne em companhia de alguns de seus frades mais íntimos, pôs-se em oração fervorosa e foi objeto de uma graça insigne. Na figura de um serafim de seis asas apareceu-lhe Nosso Senhor crucificado que, depois de entreter-se com ele em doce colóquio, partiu deixando-lhe impressos no corpo os sagrados estigmas da Paixão. Assim, esse discípulo de Cristo, que tanto desejara assemelhar-se a Ele, obteve mais este traço de similitude com o Divino Salvador. Devoção a São Francisco de Assis No verão de 1225, Francisco esteve tão enfermo, que o cardeal Ugolino e o irmão Elias o levaram ao médico do Papa, em Rieti. São Francisco de Assis perguntou a verdade e disseram que lhe restava apenas umas semanas de vida. “Bem vinda, irmã Morte!”, exclamou o santo. Em seguida pediu para ser levado à Porciúncula. Morreu no dia três de outubro de 1226, com menos de 45 anos, depois de escutar a leitura da Paixão do Senhor. Ele queria ser sepultado no cemitério dos criminosos, mas seus irmãos o levaram em solene procissão à Igreja de São Jorge, em Assis. Ali esteve depositado até dois anos depois da canonização. Em 1230, foi secretamente trasladado à grande basílica construída pelo irmão Elias. Ele foi canonizado apenas dois anos depois da morte, em 1228, pelo Papa Gregório IX. Sua festa é celebrada em 04 de outubro. Oração de São Francisco de Assis Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor; Onde houver ofensa, que eu leve o perdão; Onde houver discórdia, que eu leve a união; Onde houver dúvida, que eu leve a fé; Onde houver erro, que eu leve a verdade; Onde houver desespero, que eu leve a esperança; Onde houver tristeza, que eu leve a alegria; Onde houver trevas, que eu leve a luz. Ó Mestre, Fazei que eu procure mais Consolar, que ser consolado; Compreender, que ser compreendido; Amar, que ser amado. Pois, é dando que se recebe, É perdoando que se é perdoado, E é morrendo que se vive para a vida eterna. Fonte: Santuário do Caraça

O que é o Espírito Santo: a terceira pessoa da Trindade

A Trindade é o mistério central da fé cristã, revelando um único Deus em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Não declaramos, portanto, a existência de três deuses, mas professamos a unicidade de Deus em três pessoas. Assim como o Pai é o mesmo que o Filho, e o Filho é o mesmo que o Pai, o Pai e o Filho são iguais ao Espírito Santo — ou seja, um único Deus por natureza. Este mistério é a fonte de todos os outros mistérios da fé — e a luz que os ilumina. Desse modo, não precisamos nos preocupar em compreender a Trindade, não seria possível humanamente, mas sim em crer, uma vez que é um dogma da Igreja. O Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, é quem nos auxilia no caminho da fé. Ele guia, fortalece e consola os fiéis. Além disso, concede dons espirituais, transforma os corações, intercede por nós e orienta-nos, possibilitando uma comunhão íntima com Deus. Seu papel é fundamental na revelação do amor divino, a fim de nos capacitar a viver uma vida alinhada ao Evangelho. A finalidade da missão do Espírito Santo em toda a ação litúrgica é pôr-nos em comunhão com Cristo, para formarmos o seu corpo. O Espírito Santo é como que a seiva da Videira do Pai, que dá fruto nos sarmentos. O que dizem as Escrituras? Ao longo das Escrituras, encontramos diversas referências ao Espírito Santo. No Antigo Testamento, Ele já pairava sobre as águas. Nos Evangelhos, as palavras de Jesus destacam a vinda do Consolador e a importância do Espírito na nossa vida. Depois, nos Atos dos Apóstolos e nas Cartas de São Paulo, testemunhamos o poder transformador do Espírito Santo na formação e edificação da Igreja primitiva. Antigo Testamento No Antigo Testamento, o Espírito Santo atuava de maneira restrita, frequentemente associado aos profetas, que desempenhavam um papel fundamental como mediadores entre Deus e o povo. Isso fica evidente no livro de Números quando Moisés diz: -“[…] ------Prouvera a Deus que todo o povo do Senhor profetizasse, e que o Senhor lhe desse o seu espírito!” - Nm 11 No entanto, desde o início, na criação, o Espírito pairava sobre as águas, indicando Sua presença na formação do mundo. Além disso, a visão do profeta Ezequiel, registrada no livro de mesmo nome, destaca o poder transformador do Espírito Santo. Ao renovar os ossos secos, a passagem simboliza a capacidade divina de restaurar e revitalizar a vida. Essa ação profética do Espírito demonstra a Sua atuação na história de Israel, que se reflete também na nossa história, uma vez que somos hoje família de Deus na Igreja, ou seja, o Seu povo. -Profetiza ao espírito, disse-me o Senhor, profetiza, filho do homem, e dirige-te ao espírito: eis o que diz o Senhor Javé: vem, espírito, dos quatro cantos do céu, sopra sobre esses mortos para que reviva. […] Quando eu colocar em vós o meu espírito para vos fazer voltar à vida […] Sabereis então que sou eu o Senhor, que o disse e o executei – oráculo do Senhor. - Ez 37 Por fim, o Antigo Testamento também revela o Espírito Santo como o “sopro da vida”, no relato da criação no livro de Gênesis. Deus, ao formar o homem, sopra em suas narinas, infundindo-lhe vida. Essa imagem poética ilustra a relação íntima entre a vida humana e a presença do Espírito de Deus, que não apenas dá origem à existência, mas também a sustenta ao longo do tempo. Assim, a atuação do Espírito Santo no Antigo Testamento, apesar de restrita, já aponta para Sua plenitude e universalidade na Nova Aliança, inaugurada com a vinda do Messias. Evangelhos Nos Evangelhos, a presença do Espírito Santo é enfatizada pelas próprias palavras de Jesus. No Evangelho de João, Jesus promete o Consolador, o Espírito da Verdade, que permanecerá com os discípulos para sempre. -E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós. - Jo 14 Depois, quando anuncia a sua partida, Cristo encoraja os discípulos dizendo que isso é necessário, a fim de que o Espírito Santo venha -[…] convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo. - Jo 16 O evangelista São Lucas recorda, nas palavras de Jesus, a necessidade de invocar o Espírito Santo, a fim de que Ele nos seja dado. -Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem. - Lc 11 Este mesmo espírito é o responsável por nos fazer “nascer do Espírito”, como relata o evangelista São João ao narrar o diálogo entre Jesus e Nicodemos. Este nascimento é a transformação interior que o Espírito Santo deseja realizar em nós, começando no nosso batismo e depois por meio da vivência dos sacramentos, para que tenhamos comunhão com Cristo e cheguemos um dia à glória celeste. Mas essa transformação interior realizada pelo Espírito depende também do nosso querer. As palavras de Jesus, no Evangelho de São Mateus, são firmes. -Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro.” - Mt 12 Isso quer dizer que se rejeitamos a salvação que Ele nos oferece, por meio do seu Espírito Santo, não podemos alcançar o perdão dos pecados, uma vez que estaremos recusando a ação transformadora do Seu Espírito em nós.
Atos dos Apóstolos Nos Atos dos Apóstolos, vemos a promessa de Deus sendo cumprida em Pentecostes. Quando os discípulos estavam reunidos em Jerusalém, o Espírito Santo desceu sobre eles como línguas de fogo, de modo que “começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” - At 2 Neste acontecimento, por meio do Seu Espírito, Deus capacita os apóstolos a transmitirem de maneira eficaz a mensagem do Evangelho a pessoas de diversas nações. -Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: “Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?" - At 2 A atuação do Espírito Santo continua na condução da Igreja primitiva. A manifestação do Espírito de Deus em Pentecostes resulta na comunhão profunda, no compartilhamento de bens e no crescimento constante da comunidade cristã. Além disso, também é o Espírito quem guia a escolha dos líderes da Igreja e direciona as atividades missionárias. - At 2 Ainda, a missão dos apóstolos é claramente impulsionada por esse mesmo Espírito. Jesus havia prometido que os capacitaria para testemunhar a Palavra de Deus em Jerusalém, Judeia, Samaria e até os confins da terra. - At 1 E, de fato, vemos o Espírito de Deus fortalecendo e guiando os apóstolos em suas viagens missionárias, nas quais enfrentavam muitos desafios, a fim de disseminar a mensagem cristã. Em resumo, nos Atos dos Apóstolos, o Espírito Santo aparece como o prometido do Pai que capacita, unifica e guia a Igreja primitiva. Sua presença dinâmica e contínua é evidente em Pentecostes, na condução da comunidade cristã e na missão ousada dos apóstolos, demonstrando a centralidade do Espírito prometido do Pai na expansão do cristianismo. Cartas de São Paulo Nas cartas de Paulo, o Espírito Santo é retratado como aquele que conduz para uma vida nova, orientando os fiéis a viverem de acordo com os princípios cristãos. Paulo destaca a importância de caminhar no Espírito, evitando os desejos da carne. Essa orientação divina é fundamental para a transformação que o Espírito deseja realizar em nós. -Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis. - Gl 5 Além disso, Paulo enfatiza o papel do Espírito Santo no reconhecimento dos fiéis como filhos de Deus. Ele destaca que aqueles guiados pelo Espírito são verdadeiramente filhos de Deus, pois apreciam as coisas do Espírito. -De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. - Rm 8 Outro aspecto destacado nas cartas de Paulo é que o Espírito Santo concede carismas, ou dons espirituais, para a edificação da Igreja. Desse modo, esses dons capacitam os fiéis a desempenharem papéis específicos na comunidade cristã, contribuindo para o crescimento e fortalecimento da Igreja. -Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito […] - 1C 12 O que é o Espírito Santo: seu papel na condução da Igreja Jesus sobe aos céus, mas não abandona os seus, Ele envia o Espírito Santo para guiar a Igreja. A manifestação pública da Igreja no dia de Pentecostes é marcada pela vinda do Espírito Santo, que a santifica continuamente. Esse evento inaugura a difusão do Evangelho entre os gentios, evidenciando a natureza missionária intrínseca da Igreja, enviada por Cristo a todas as nações para fazer discípulos. Desse modo, conduzida pelo Espírito Santo, a Igreja, que continua a missão de Cristo ao anunciar a Boa-Nova, percorrendo o mesmo caminho de pobreza, obediência e serviço de Nosso Senhor. E, para que ela cumpra bem a sua missão, o Espírito de Deus a enriquece e guia com diversos dons e carismas, que capacitam os fiéis a anunciar e instaurar o Reino de Deus em todos os lugares. Além disso, o Espírito Santo atua como guia não apenas na missão geral da Igreja, mas também na liderança específica, inspirando e orientando o sucessor de Pedro na terra, o Papa. Portanto, é evidente que a terceira pessoa da Santíssima Trindade é a força vital que orienta, capacita e inspira toda Igreja, dando a graça e a força de que necessita para manter-se fiel aos preceitos divinos. Ele é o Senhor que dá a vida O Espírito Santo de Deus é aquele mesmo que soprou vida nas narinas do primeiro homem, sendo assim é também aquele que “sopra” sobre a nossa vida espiritual, a fim de nos assemelhar a Cristo — fim último de nossa vida. A nossa vida interior é iluminada e fortalecida pelo Espírito Santo, a fim de que dê frutos em cada aspecto da nossa existência. O Espírito de Deus é o responsável pela nossa comunhão íntima com o Pai. Precisamos da ação do Seu Espírito em nós para cultivar as virtudes, que moldam nosso caráter, e receber os dons que nos impulsionam. Os 7 dons do Espírito Santo, como sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus são presentes especiais concedidos aos fiéis para enriquecer a sua vida espiritual e servir aos outros. Além dos sete dons, existem outros dons, como o dom da cura, o dom de milagres, o dom da profecia, o dom da variedade de línguas e o dom da interpretação de línguas. Esses dons capacitam-nos a viver de acordo com os ensinamentos e valores cristãos, auxiliando-nos na busca por uma vida virtuosa. Portanto, a relação entre o Espírito Santo e a vida interior, as virtudes e os dons é intrínseca. Ele impulsiona a vida espiritual, inspirando virtudes que moldam o caráter e infundindo na nossa alma os dons que nos permitem viver em conformidade com os princípios do Evangelho. Essa dinâmica espiritual reflete a profunda atuação do Espírito de Deus na formação e no enriquecimento da vida cristã. Os cinco símbolos do Espírito Santo 1. Vento. — As Escrituras dizem: “Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reu­nidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados” (At 2, 1s). 2. Fogo. — As Escrituras continuam: “Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e pousaram sobre cada um deles” (At 2, 3). 3. Línguas. — Ele também é descrito como línguas de fogo, o que nos ensina que um dos principais frutos do Espírito é ajudar-nos a dar testemunho às outras outras. Mas o que significa testemunhar? É falar do que se viu, ouviu e experimentou. 4. Água. — É uma imagem que Jesus utiliza com frequência para falar do Espírito Santo. No último dia da grande festa dos Tabernáculos, Jesus se pôs de pé e disse em alto e bom som: “‘Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva’. Dizia isso, referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem nele, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado” (Jo 7, 37ss). 5. Pomba. — Sabemos que o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma de pomba. As Escrituras dizem: “O Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e veio do céu uma voz: ‘Tu és o meu Filho bem-amado; em ti ponho minha afeição’” (Lc 3, 22). Fonte: Minha Biblioteca Católica Padre Paulo Ricardo Oração ao Divino Espírito Santo Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. V. Senhor, enviai o Vosso Espírito e tudo será criado. R. E renovareis a face da Terra. Oremos, Ó Deus, que instruistes os corações dos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos que por este mesmo Espírito saibamos o que é recto e gozemos sempre da Sua consolação. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém. Terço do Divino Espírito Santo No Princípio : Pai-Nosso ... Ave-Maria ... Creio ... Nas contas grandes do Pai-Nosso : Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minha testemunha . Nas contas pequenas da Ave-Maria : Vinde Espírito Santo . No fim do Terço : Vinde , Espírito Santo , enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. Oremos : Ó Deus , que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo , fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da Sua consolação. Por Cristo , Senhor nosso. Amém

São Judas Tadeu

São Judas Tadeu é um dos doze apóstolos de Jesus. Era filho de Cléofas (irmão de São José) e de Maria de Cléofas (irmã de Nossa Senhora). Assim, ele era primo de Jesus. Diziam que se parecia muito com o Mestre. São Judas era também irmão de São Tiago, chamado "O Menor", e de São Simão. Ambos discípulos de Jesus. O nome Judas significa "Deus seja louvado". Bodas de Caná Alguns estudiosos chegam a cogitar na possibilidade de São Simão, ser o noivo do casamento em Caná da Galiléia, onde Jesus operou seu primeiro milagre, transformando água em vinho. São Judas teria presenciado o milagre e esta pode ter sido a causa de ele ter se tornado discípulo de Jesus. Lucas também chama Judas de 'Zelote' - Lc 6,15. Alguns estudiosos afirmam que 'zelote' significa zeloso. Outros afirmam que ele poderia ser membro do movimento revolucionário dos zelotes, que lutavam contra a dominação romana em Israel. Escritor São Judas Tadeu São Judas é o autor da menor carta do Novo Testamento: 'A Carta de Judas'. A epístola de Judas foi escrita com muito amor e dedicação. Judas se preocupava com a pureza da crença na pessoa de Jesus Cristo e com a boa imagem dos cristãos perante a população. Talvez ele até quisesse escrever algo diferente, mas ao ouvir os falsos relatos de alguns cristãos, decidiu escrever esta carta chamando a atenção e alertando toda a Igreja nascente para terem cuidado com os falsos profetas. Martírio A história, baseada nos escritos apócrifos da 'Paixão de Simão e Judas', relata que depois de anunciar o Reino de Deus no Egito, Simão encontrou-se com Judas e eles foram evangelizar a Pérsia. Escritos do século VI descrevem o martírio de ambos. Simão e Judas foram martirizados na Pérsia, na cidade de Sufian. Eles foram mortos por pregarem destemidamente a fé em Jesus Cristo. Por causa da pregação deles, grande foi o número de persas que se converteram ao cristianismo. Isso incomodou os poderosos da Pérsia. Por isso, foram condenados à morte. Vários estudiosos das escrituras acreditam que São Judas foi decapitado por carrascos que usavam como ferramenta o machado afiado. Esta era a pena capital mais usada pelos persas na época. Muitos se converteram ao verem o testemunho destemido de São Judas diante da morte. O corpo de São Judas está sepultado na Basílica de São Pedro, no Vaticano. O Papa Paulo III escreveu uma bula concedendo indulgência plenária para todos aqueles que rezarem em seu túmulo no dia 28 de outubro, dia da sua festa. Representação de São Judas Tadeu Na arte cristã, São Judas Tadeu é representado como um homem segurando um machado, como referência à maneira pela qual ele foi martirizado. Devoção a São Judas Tadeu Acredita-se que as relíquias de São Judas Tadeu possam estar nas cidades deRheims e Touluse, na França. Há séculos, São Judas é venerado pelos cristãos como um dos santos mais populares da Igreja. Ele é invocado como o "Santo das Causas Perdidas". Intercessão de São Judas Tadeu Muitas vezes São Judas Tadeu é confundido com Judas Iscariotes, aquele que traiu Jesus por 30 moedas. Por isso, o nome Judas caiu na desonra e passou a ter um significado de traidor, criminoso, assassino, desprezível ou diabólico. Santa Brígida diz que Jesus quis reparar esse mal. Ao aparecer a Brígida da Suécia, que vivia um momento difícil em sua vida, Jesus disse para ela pedir a intercessão de São Judas Tadeu, pois Ele, Jesus, queria conceder graças às pessoas do mundo todo. Por isso, ainda hoje, a devoção a São Judas Tadeu é forte em todo o mundo. São tantas as graças alcançadas pela intercessão do Santo que ele é conhecido como o advogado das causas perdidas ou difíceis de serem resolvidas. Oração a São Judas Tadeu (Para ser rezada em grandes aflições, quando parecemos desamparados de todo socorro visível ou para casos desesperados) São Judas Tadeu, glorioso apóstolo, fiel servo e amigo de Jesus, o nome do traidor é causa de serdes esquecido por muitos, mas a Santa Igreja honra-vos e invoca-vos universalmente como padroeiro de casos desesperados, sem remédio. Intercedei por mim que sou tão miserável pondo em prática, eu vo-lo rogo, o privilégio particular que vos é concedido a fim de trazer ajuda pronta e visível onde isso é quase impossível. Vinde valer-me nessa grande necessidade para que eu possa receber as consolações e socorros do Céu em todas as minhas aflições, necessidades e sofrimentos, particularmente (aqui dizer a graça que deseja obter...) e que possa bendizer a Deus convosco e todos os eleitos por toda a eternidade. Eu vos prometo, bem aventurado São Judas Tadeu, ter sempre presente esta grande graça e não cessar de honra-vos, como meu especial e poderoso Padroeiro e farei quanto possa para espalhar a devoção para convosco. Amém. São Judas Tadeu, rogai por nós e por todos os que vos honram e vos invocam. Rezar um Pai-Nosso, uma Ave-maria e um Glória ao Pai Fonte: Cruz Terra Santa

O que é Inferno para Cristãos?

Você já parou para pensar sobre o que é realmente o inferno? Essa é uma pergunta que provoca reflexões profundas e, muitas vezes, gera desconforto. Vamos explorar esse conceito que permeia as doutrinas católica e evangélica e entender as suas implicações na vida dos fiéis. Para muitos, o conceito de inferno é sinônimo de punição eterna, um lugar de tormento para aqueles que se afastam dos ensinamentos de Cristo. Mas, o que realmente significa “inferno”? É um estado de separação eterna de Deus. Para os católicos, a ideia de inferno não se resume a um lugar físico, mas sim a uma condição espiritual. É como se fosse uma distância irreparável da graça divina, consequência dos pecados não arrependidos e da rejeição a Deus. Os evangélicos baseiam suas crenças nas Escrituras Sagradas. O Novo Testamento menciona o inferno em várias passagens, referindo-se a ele como um lugar de separação eterna de Deus. O Catecismo da Igreja Católica aborda essa questão de maneira clara. O inferno é descrito como "a condição dos que morrem em pecado mortal, sem arrependimento". Essa definição enfatiza a necessidade de um coração contrito e aberto à conversão. Não se trata de um castigo arbitrário, mas da consequência natural das escolhas que cada um faz ao longo da vida, Justiça Divina. Além disso, é importante entender que a visão católica do inferno também leva em conta a comunhão dos santos. Aqueles que estão no inferno estão isolados de toda forma de amor e compaixão. Por outro lado, aqueles que estão na Graça de Deus vivem em comunhão e amor eternos. Isso reforça a ideia de que a vida aqui na Terra é uma preparação para o que vem a seguir. Um ponto importante a destacar é a visão que os católicos têm sobre a misericórdia de Deus. Deus é infinitamente misericordioso e que sempre oferece oportunidades de arrependimento. No entanto, ao escolher constantemente o pecado e rejeitar a graça divina, a pessoa se afasta de Deus, aproximando-se desse estado de separação que chamamos de inferno. Todos têm o livre arbítrio, ou seja, a capacidade de escolher entre o bem e o mal. Essa liberdade traz consigo a responsabilidade. Cada passo pode nos aproximar ou nos afastar de Deus. Podemos optar sempre pela luz e pela graça, buscando viver plenamente a fé que nos é proposta pela Igreja. Sabemos que o tema do inferno é uma questão frequentemente debatida entre as diversas denominações cristãs, especialmente entre os evangélicos. Para muitos, o conceito de inferno é sinônimo de punição eterna, um lugar de tormento para aqueles que se afastam dos ensinamentos de Cristo. Muitos evangélicos também enfatizam a misericórdia de Deus. Eles acreditam que Deus deseja que todos se arrependam e se voltem para Ele, oferecendo uma chance para a salvação. A escolha de seguir a Cristo é essencial para evitar o inferno. Talvez você já tenha ouvido falar que “Jesus é o caminho, a verdade e a vida”, e essa frase contem a essência da crença evangélica sobre a salvação e a vida eterna. Conversando com os evangélicos, você também pode perceber que eles falam sobre o inferno como um chamado para a evangelização. O desejo de compartilhar as boas novas de Jesus Cristo com o mundo está diretamente relacionado à crença no inferno. A missão de muitos ministérios e igrejas é, de fato, evitar que as pessoas cheguem a esse destino. É uma perspectiva que coloca responsabilidade em nossas mãos e nos incentiva a amar e guiar aqueles ao nosso redor. Outra questão interessante é a representação do inferno. Ao longo da história, diferentes culturas e tradições têm retratado o inferno de maneiras diversas. Nos filmes ou livros, muitas vezes é apresentado como um lugar cheio de fogo e sofrimento. Para muitos, o inferno é visto menos como um lugar físico e mais como um estado de consciência e separação da presença divina. Essa perspectiva nos lembra que o inferno é uma escolha, uma consequência de afastar-se de Deus. Para concluir, cada escolha que fazemos hoje pode impactar nossa eternidade.

O Nome de Deus

Nos tempos antes de Cristo, os povos pagãos tinham seus deuses, aos quais eram dados nomes próprios, como acontece com os seres humanos. O Deus de Israel revelou-se a Abraão como El Shaddai (Gn 17,1), nome que significa “Todo-poderoso”. No Antigo Testamento encontramos outros três nomes para Deus: Elohim (Deus), Adonai (Senhor) e Javé (Ele é). Os dois primeiros são genéricos, mas o terceiro ficou sendo o nome próprio do Deus dos hebreus. Este nome foi revelado a Moisés na sarça ardente, ao pé do Sinai, quando ele recebeu a missão de libertar o povo da escravidão do Egito. Quando Moisés lhe perguntou Seu Nome, Deus disse: “Eu sou Aquele que sou”. E começou a ser chamado de “Ele é”. (Êxodo 3,14) Esse Nome sagrado era escrito na língua hebraica com quatro letras: YHWH e, por isso, era chamado de “Tetragrama”. Para obedecer ao segundo mandamento, “não tomar seu santo Nome em vão”, os hebreus nunca o pronunciavam, dizendo em seu lugar “Adonai”. Por isso, perdeu-se a pronúncia exata do Nome, mas tudo indica que era pronunciado como “Javé”. De onde veio então a pronúncia “Jeová”? Na língua hebraica antiga, escreviam-se apenas as consoantes, e as vogais foram inseridas na Bíblia somente por volta do final do século I d.C.. Sendo impronunciável esse Nome, cada vez que ele aparecia no texto, devia-se ler Adonai. Para isso, nas consoantes YHWH, os sábios judeus introduziram, não as vogais adequadas, mas sim as da palavra Adonai: YaHoWaH. Sendo breve o primeiro “a”, ele equivale a “e”. A pronúncia errônea que daí resultou – “Jeová” – remonta à Idade Média. Hoje, com exceção de grupos como as “Testemunhas de Jeová”, tal pronúncia tornou-se obsoleta. “Jeová”, portanto, é a combinação das consoantes YWHW com as vogais de Adonai. Este Nome tem um significado muito profundo. É interpretado como “Eu sou Aquele que está aí para vós”. Assim, o nome de Deus é uma promessa, um compromisso. Comenta o Papa Francisco: “Deus permanecerá para sempre na história da humanidade como Aquele que está presente, Aquele que é próximo, providente, santo e misericordioso. Ele estará presente e agindo até o fim dos tempos”. Isto é confirmado pelo outro nome de Deus: Emanuel, o Deus conosco, que lemos em Is 7,14. Para nós, cristãos, o Nome de Deus é “Pai, Filho e Espírito Santo”. Os outros nomes eram provisórios, porque ainda não tinha sido revelado o mistério da Santíssima Trindade. Padre Mauro reflete sobre o nome de Deus. Pe. José Raimundo Vidigal, C.Ss.R. Não é necessário chamar a Deus por estes nomes como ensinam algumas seitas. Estes nomes estão muitos ligados à cultura judaica. Conheça os 20 nomes de Deus mencionados no Antigo Testamento:  EL / ELOHIM: Soberano Criador JEOVÁ (YHAWEH):“EU SOU” EL SHADAY: Deus Todo Poderoso, Onipotente ADONAI: Senhor(dono) JEOVÁ JIRÉ: Deus proverá JEOVÁ M’KADESH: o Deus que santifica JEOVÁ NISSI: O Senhor é a nossa bandeira JEOVÁ RAFÁ: Eu sou o Deus que te sara JEOVÁ SHALOM: O Senhor é a nossa Paz JEOVÁ TSIDKENU: Senhor, Justiça nossa EL ROHI: O Senhor é o meu Pastor JEOVÁ SHAMNAH: O Senhor está presente aqui EL ELYON: O Deus Altíssimo JEOVÁ TSEBAÔ: O Senhor dos Exércitos JEOVÁ MAKKE: O Senhor nos corrige JEOVÁ GMOLÁ: O Senhor das recompensas JEOVÁ ELOAI: Senhor meu Deus EL ELOAH: O Deus pessoal JEOVÁ ELOENU: O Senhor nosso Deus EMANUEL: Deus conosco A ‘receita’ ensinada por Jesus para a oração é orar ao Pai em nome do Filho e sob a intercessão do Espírito Santo, o nome de Deus. (João 16.8-11; 23 e 24)

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